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A tristeza de procurar conteúdo brasileiro no YouTube

Não veja o título e pense que sou mais um brasileiro com síndrome de vira-latas. Eu assisto majoritariamente a canais feitos por brasileiros e tenho preferência por eles. O que vou relatar aqui é um problema pessoal que enfrento quando tento buscar conteúdos mais específicos, e como isso é reflexo da nossa sociedade.

Eu sou uma pessoa curiosa. Gosto de pesquisar diversos assuntos, que vão de coisas triviais sobre obras que aprecio até conceitos filosóficos que me chamaram a atenção. Meu problema começa quando tento buscar conteúdos sobre esses temas que, por coincidência, podem cair em vestibulares, editais de concursos e coisas do tipo.

Há diversos canais nacionais que trazem conteúdo de qualidade sobre várias áreas, mas, para determinados assuntos, é praticamente impossível encontrar alguém falando sobre eles sem que a intenção seja fazer alguém passar em alguma prova. É a velha decoreba, como minha mãe dizia. Não são pessoas falando sobre algo por simples interesse, onde existe alguém querendo ensinar e alguém querendo aprender. Aqui no Brasil, o que se vê é alguém tentando melhorar de vida e buscando quem ensine a decorar algo, enquanto te convence a comprar o acesso a uma determinada plataforma.

É nesse ponto que a engrenagem social se revela. O conteúdo não é ruim por acaso, ele apenas responde a lógica de sobrevivência. Quem produz sabe que o público não está ali por mera curiosidade e vontade de aprender, mas porque precisa urgente de uma aprovação, de um salário melhor, de uma saída. E é exatamente essa urgência que faz com que aprendizado vire um produto.

Em um país desigual como o nosso, aprender algo por puro interesse se torna quase um absurdo. Não há incentivo para isso. Precisamos estar sempre buscando melhorar nossa condição e lutando contra um sistema que nos força a fazer cada vez mais.

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