escassez artificial no mundo digital_
Ultimamente ando refletindo bastante sobre estratégias de marketing que recorrem à escassez artificial, especialmente no caso de bens digitais.
Muitas empresas buscam instigar o desejo e o FOMO (fear of missing out) ao limitar suas ofertas, criando uma sensação de urgência que leva consumidores a compras por impulso. Um exemplo é um jogo que acompanhei por alguns anos: Genshin Impact.
Esse tipo de jogo utiliza microtransações e sistemas gacha para incentivar os jogadores a gastar dinheiro real em busca de novos personagens e itens. Normalmente há um período limitado para obter esse conteúdo, o que cria a sensação de exclusividade para quem consegue conquistá-lo.
O curioso é que um bem digital tem custo marginal de replicação praticamente zero. Ou seja, depois de produzido, a empresa gasta quase nada para distribuí-lo. No entanto, manter produtos sempre disponíveis reduz a urgência e, consequentemente, as compras impulsivas.
Trouxe o exemplo do jogo, mas a lógica se aplica a outros produtos digitais, como cursos com aulas pré-gravadas, livros digitais e muito mais. Hoje temos a capacidade de suprir várias necessidades, mas, como aponta Joan Westenberg, a questão não é a escassez de recursos, e sim um problema de distribuição.